terça-feira, 9 de dezembro de 2014

INQUIETAÇÕES


Qual é o sentido de tanta correria, de tanta pressa, de tanta necessidade? Por qual motivo vivemos tão ansiosos?! Por que essa necessidade de ter que estar sempre ocupado com algo, de ter um objetivo?
Quem colocou em nossas mentes que devemos trabalhar tanto e acumular bens? Se nunca estamos satisfeitos com o que possuímos e então temos que trabalhar mais e mais...
Observei alguns animais em confinamento e não vi diferença nenhuma entre eles e a sociedade na qual vivemos. Somos todos confinados, reféns de algo que colocaram em nossas mentes. Ideologias loucas. Estamos todos presos a laços invisíveis que nos controlam. Somos alimentados exageradamente por ideias que entopem e entorpecem nossas mentes.
reparou nas pessoas que estão ao seu redor, percebeu que cada vez mais um brilho diferente no olhar delas, ou melhor, a falta, de um brilho no olhar delas? A alegria, a espontaneidade, a leveza estão sendo substituídas por neuroses. Não basta ser bom, tem que ser espetacular. É como querer chegar até o horizonte.
E pergunto, para que tudo isso? Por qual razão somos deixados nesse estado de suspensão?
Quem lucra com esse stress generalizado no qual estamos? Quem realmente controla esse rebanho?
Lila Mah.


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O MONSTRO QUE MORA AQUI

Quando eramos crianças e morríamos de medo de lugares escuros; quem nunca achou que havia um monstro escondido debaixo da cama, dentro do armário ou atrás da porta?
Quem poderia explicar um medo assim, de algo que não se vê, de que não se tem a menor ideia de como seja?
Crescemos, e, num belo dia, nos deparamos com “aquele” monstro. Sim. Aquele monstro sem face, sem forma. Mas com a presença. A promessa. O Medo. E onde jamais poderíamos crer que o encontraríamos, ele aparece, dentro de nós mesmo.
Sim, dentro de mim. De você. Naquele simpático senhor que nos dá bom dia; naquela senhora carinhosa com seus netinhos, naquele distinto senhor de terno e gravata, no jovem que anda despreocupadamente, no carinha do bar, na menina da escola. Sim. Carregamos potencialmente um monstro oculto e ele sai da escuridão cada vez que uma voz se eleva, cada vez que permitimos a raiva dominar nossos atos.
A nós cabe não apenas manter a porta bem trancada, mas também não alimentá-lo, pois, se lhe damos o que comer, ele cria forças e despedaça as correntes que entrelaçavam a porta, fugindo, sem rumo, sem direção; e o que esperar de um monstro que ultrapassa as cercas de seu calabouço?

Lila Mah.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A OUTRA METADE

Como é difícil, para alguns, se apaixonar. Digo para alguns porque para outros as paixões acontecem de forma tão certa quanto o pôr-do-sol. Para essas pessoas paixões vêm e vão, e a cura de uma é o surgimento de outra.
Mas para outras pessoas tudo acontece de forma mais lenta, por vezes beirando a descrença de que este sentimento realmente exista, ou de que volte a deixá-la caminhando pelas nuvens, como faz a paixão. Deseja-se muito que ela ressurja, mas nada acontece. Por que nem todos tem a sorte de se apaixonar?
Essa pergunta me faz pensar se neste mundo superpovoado existe mesmo a cara metade de cada um. Por que algumas pessoas terminam seus dias sozinhas? Qual foi o momento em que ela desistiu de procurar? Seria isso uma opção, algumas pessoas realmente optaram por passar seus dias sem ninguém que as acompanhe?
Ainda vivo em um mundo no qual acredito que estar sozinho não é opção, e a questão maior não seria estar mal acompanhado, mas sim que cada um de nós realmente é um mundo. Um mundo de ideias, de pensamentos, de surpresas, de desilusões, de felicidade e de sofrimento. E nem sempre permitimos que esse mundo seja povoado, assim ele vive solitário, segue sua rotina de girar em torno do sol, como se não fizesse falta a ausência de vida nele.
A.S.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

FEEDBACK


Somos a sociedade do feedback. Todos querem dar respostas a tudo. A cada passeio nas redes sociais, a cada site de notícias, na TV, no rádio... estamos todos opinando. Seria isso bom? Seria.
Seria bom se a grande parcela filtrasse seus pensamentos antes, se pesassem na balança do bom senso a gravidade de suas opiniões. O mais assombroso é que não basta tecer uma opinião - querem impor suas verdades e sobre julgar a dos outros - se não lhes convém um comentário, uma ideia, atacam. Rosnam. Debocham. Eu vejo uma proliferação de ditadores cibernéticos a cada vez que entro nas redes sociais. E isso é assombroso.
Será que, por estarmos há tão pouco tempo nesta interatividade, ocorre este comportamento de criança birrenta? Ou será que esse fenômeno está servindo para refletir a verdadeira face da humanidade, que do alto de suas montanhas de erros, ousa apontar e julgar os defeitos dos outros, jogando pra debaixo do tapete sua hipocrisia diária?
Lila Mah

SAUDADE


um tempo que não corre nas engrenagens dos relógios, ele reflete sua face na poeira suspensa das salas esquecidas, viaja no tricotar ensandecido das aranhas, nos olha por entre janelas ocas das casas abandonadas. Balança entre as folhas das árvores nas ventanias de verão. Dança no lusco-fusco. Ele nos chama nas lembranças adormecidas, na pontada da saudade nascida nos dias frios do coração. O tempo além do tempo. O senhor da terra da lembrança. Quando toca seu cajado no chão, não porta que o detenha.
Quando menina eu o via nos olhos dos adultos. Ele cantava sua canção através das palavras dele. Crescia a cada suspiro saudoso, a cada história de seus passados. Eu era imune a suas investidas, mas ele pacientemente esperava a vida tecer minha história também. Não havia como escapar de seu abraço. A cada ano, sua sombra projetava-se mais ao meu lado.
O tempo paralelo. O condutor da carruagem. Não sei ao certo suas cores - num dia pode ser de um amarelo desbotado, pular para um cinza apagado ou inundar-se de cores fortes. Pinceladas de vermelho ocre – vai depender da pagina que ele vai abrir, qual envelope de história vai rasgar e recitar em meu coração, qual será a medida da saudade que despejará em mim.
um tempo que não corre nas engrenagens dos relógios, e ele ressurge a cada novo fôlego que nasce na terra e a cada brilho que se apaga no olhar de quem amamos.

Lila Mah

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

GAVETAS


Como é bom ter uma gaveta. Seja para guardar aquela roupa de frio que você não usa mais ou aqueles papéis que você não sabe em que local colocar, seja para preservar um par de sapatos que você não usa nunca, mas ainda assim não consegue se desfazer deles. Mas ando pensando que melhor do que termos gavetas em um armário seria termos nossas próprias gavetas. Explico melhor.
Como queria ter a capacidade de pegar a tristeza que me causou uma frase dita e colocá-la em uma gaveta bem pequena e apertada, na qual ela nunca teria espaço para crescer. Seria rejuvenescedor guardar algumas mágoas em uma gaveta de um algum armário inutilizado, onde sequer se passe em frente. Tudo estaria resolvido.
Melhor ainda seria ter em uma parte do criado-mudo uma gaveta para se guardar muita paz de espírito, para aqueles momentos mais difíceis. Muita alegria eu gostaria de ter em estoque, espalhada por várias gavetas ao redor da casa. Por que não uma gaveta com muita paciência, para um dia de muito estresse. Mas se fosse para escolher uma gaveta, eu com certeza teria uma com muito amor, para poder propagá-lo pelo mundo.
No entanto, ainda não achei um jeito de colocar meus sentimentos em compartimentos, então eles se espalham por aí. E nessa de deixá-los livres, por vezes magoam, porque sei que erro, mas em outros com certeza alegram, levam esperaça e confortam, porque a maior parte de mim ainda acredita que quem espalha o bem, o recebe de volta.
A.S.


PENSO. LOGO CAMINHO.

Caminhar. Andar. Seguir em frente. Olhar para frente. Um passo. Dois. Três. Milhares de passadas firmes. Deixando para trás tudo que angustia, a cada passada, um ser novo. Purificado.
Não existe, para mim, terapia melhor que caminhar. Vêem-me as melhores ideias, clareia meu raciocínio; é como se abrissem as portas da percepção. Tudo flui melhor. É tudo mais intenso. Muitos caminham para perder peso, queimar calorias; eu uso para queimar pensamentos - Talvez seja um contrapeso para minha natureza contemplativa, uma forma de processar as informações recebidas – o que eu capto na inércia, processo e queimo em minhas caminhadas.
Além do mais, está em nossa memória milhares de anos de marcha de nossos antepassados nômades. Caminhar é, portanto, um traço de nossa natureza.
Talvez o segredo da iluminação esteja no percorrer do caminho e não no final dele. Mas isso é pauta para uma nova andada...
Lila Mah.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

DE MÃOS DADAS

Em certo momento da vida todos se acalmam? O conquistador inveterado vai encontrar sua cara metade e dedicar a ela, só a ela, seu inteiro amor? O festeiro de plantão vai curtir a companhia de outro alguém em um sábado à noite, vendo um filme na televisão? O viciado em paixões se contentará com um amor tranquilo? Estamos mesmo predestinados a este fim?
O ser humano é assim, precisa do outro para se sentir completo, mas é claro que esta regra possui exceção. Mas não é sobre esta exceção que quero discorrer. Quero mesmo é ressaltar o quanto é profundamente importante o momento em que passamos do estágio de procura, quando amadurecemos e deixamos de lado alguns de nossos predicados para podermos seguir em frente. É como retirar os sacos de areia que seguram um balão para que ele possa voar mais alto.
Eu acredito nisso. Acredito que a maioria de nós não procura alguém para dar as mãos e atravessar a rua, mas sim alguém para dar as mãos e seguir pela rua, se equilibrando no paralelepípedo, ora segurando para não cair, ora ajudando o outro a se manter ali, como se ainda fossemos criança.  
A.S.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A PALAVRA É PRATA, O SILÊNCIO É OURO.

A gente vai crescendo e vai aprendendo, no verniz da vida, que nem tudo pode ser dito, que é sempre bom guardar certas opiniões lá no fundo da alma. Isso faz bem para a boa convivência e pra saúde.
Pois bem. Seria bom, muito bom se realmente fosse assim. Se pudéssemos segurar aquela história, aquele comentário dentro da boca. Mas não, tem que coçar a língua, e, assim, abre-se a boca e, segure as consequências! 
O pior de tudo é ouvir um comentário, uma história sobre os amigos - Instala-se aí um verdadeiro caos ético – você conta ou não conta? Em que isso vai afetar a vida do outro? Vale mesmo à pena contar? O que mesmo você tem com isso? - Então você decide não contar. Mas a danada da história fica lá no cantinho da mente. Ronronando pra você. Rindo da sua paz, debochando descaradamente da sua boa intenção. Até que um dia, num momentâneo vacilo, ela pula da sua boca e você se vê jogando a conversa toda no colo do outro. Você o narrador da história toda e seus personagens. Por mais que tenha a absoluta certeza de que seu ato foi por amizade e até inocente, você se corrói por dentro. Você o fogo da fogueira. Você a lenha estalando. Você o mensageiro da discórdia.
Portanto, quando aquela história alheia ficar martelando em sua cabeça, queimando em sua boca, lembre-se daquele provérbio chinês “A palavra é prata, o silêncio é ouro” e talvez, seja muito mais seguro, deixá-la dentro da segurança de seu cofre.
Lila Mah.

CORES

Deito na cama desarrumada do dia anterior. Viro-me. Olho para o relógio. Ajeito o travesseiro. Mudo o lado da cama. Não consigo dormir. Ligo a televisão. Nada que preste. Desligo a televisão. Viro-me novamente. O sono não vem. Ligo o computador. Penso no que escrever. Nenhum assunto me vem à mente. Digito uma frase. Apago.
Como é difícil a vida de um pretenso escritor, visto que precisa de suas vivências para poder dar cor ao texto. Como escrever usando os mais variados tons de cores que podemos encontrar na natureza se o que te rodeia é um tom de azul marinho esfumaçado que mais parece um preto desbotado.
Bons dias são aqueles em que o rosa púrpuro cai em forma de serpentina, em que os confetes voam ao vento formando cores verdes, azuis e violetas. Como é prazeroso ver o texto fluindo em tons de amarelo fumegante, se espalhando como brasas alaranjadas.  São empolgantes os dias coloridos, quando as palavras descem em forma de cachoeiras, formando lagos de ideias azuladas.
Nós refletimos nossas cores, mas elas nem sempre são belas, por vezes são azuis, outras carmins. Por vezes são superficiais como a aquarela, em outras parecem ter sido feitas a óleo.  Torço para que dias de ventos cintilantes, com raios de sol dourados retornem à minha paisagem, espero por tempos de plena harmonia de cores e tons. Não pertenço a este mundo esfumaçado, dominado por cores apagadas.
A.S

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O VASO, A PLANTA E A VIDA.

Por muito tempo cuidei de uma plantinha sequinha num vaso, na realidade só havia mesmo uma casquinha ressequida fincada na terra, a vida já havia partido há muito daqueles galhinhos; mas eu tinha obrigação de molhar aquele vaso, cuidar dele mantinha a esperança de um renascimento que, infelizmente, nunca veio. Por fim, ganhei uma nova muda de planta e ocupei o vasinho novamente, revivendo o ciclo da existência.
À noite, quando o relógio já não comanda meus passos, volto a pensar naqueles momentos que passei regando e conversando com aquela planta morta, um ato de teimosia amorosa pela vida. E não somos todos assim, não vivemos cuidando de nossos vasinhos onde plantamos sonhos, esperanças e muitas vezes, teimamos com alguns, na expectativa de que renasça, que floresça, que não morra?!
Acredito que a grande lição disso tudo é saber a hora de parar, de direcionar nossos esforços em algo novo. É retirar o que não vive mais e fazer um novo plantio, dar lugar no vaso a uma nova semente de esperança.
Lila Mah.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

MELANCOLIA

Às vezes um anjo triste chega perto de mim, segura minha mão e passeia comigo por algumas horas...não sei ao certo por que ele vem, quando chega, ou o convite que o faz pousar...só sei que quando está comigo, as flores perdem o viço, as cores ficam embotadas e turva-me a visão.
Mas ele não se demora ao meu lado, sou uma distração talvez, ou sou para ele como uma flor que a abelha passa apressada retira o pólen e segue... o que  faz da minha alegria não sei.
Houve uma ocasião em que ele se demorou mais, não me recordo se foi sua primeira visita, só sei que foi a mais longa onde o inverno se fez mais severo em meu coração, dias cinzas em que a vontade era fechar os olhos e dormir eternamente. Mas, assim como veio, ele se foi, asas furiosas ao vento, rasgando a cortina, deixando a luz entrar novamente. Meu coração floresceu, mas ficou nele a marca do anjo triste. E há dias em que ele volta, projeta sua sombra cinza, desacelera meu tempo e caminha comigo...
Lila Mah

ENTRELINHAS

Desde que comecei a ler tenho um problema sério com as fábulas - por que sempre a bruxa tem que ser feia? Por que as bruxas são sempre seres do mal? - Incrível como somos levados a julgar os outros pela aparência desde a infância. 
Na idade média, nos anos negros, num mundo cercado por pobreza e parcos recursos, as pobres mulheres que tinham conhecimento das ervas e que tentavam ajudar os outros, foram perseguidas e mortas cruelmente por pessoas que se diziam boas e piedosas – e a história nos mostra hoje onde o diabo realmente estava... 
Até mesmo nos filmes podemos observar que os malvados são sempre retratados como os marginalizados da época – foram motoqueiros e hippies nos anos 60/70, metaleiros e punks nos anos 80/90 e por aí vai... os que “mandam” na verdade, sempre irão manipular a opinião das massas para suas conveniências. 
Para julgar o outro é necessário conhecê-lo; analisar suas atitudes além de sua aparência, pois até mesmo a bíblia nos alerta sobre o lobo na pele do cordeiro...  
Lila Mah

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O MEU NÃO EU

Diante de certas circunstâncias nos tornamos pessoas que não reconhecemos, tomamos atitudes que dizíamos ser incapazes de fazer, magoamos pessoas que não queríamos magoar. Mas de quem é a verdadeira culpa quando tudo isso ocorre? Devemos trazer para os nossos ombros esse peso? A culpada é da própria circunstância? Ou simplesmente a culpa é do outro?
Se assumimos a responsabilidade, nos declaramos culpados e sem direito à fiança. Se dizemos que a culpa é da circunstância, seremos julgados e punidos, mas não cumpriremos a pena. Se jogamos a culpa no colo do outro, saímos impunes, pela ausência de materialidade da autoria.
Mas no que eu realmente acredito? Acredito que somos vítimas das circunstâncias. Quando uma situação é lavada ao extremo, ao limite da nossa força física e mental, não podemos nos culpar por nossas atitudes.
Se de repente você entende que sua última saída é tomar aquela medida extrema que prove que você não estava errada, que te proporcione uma nova esperança naquele relacionamento, ou mesmo que faça com que você se reconcilie com sua autoestima, você não pode se culpar. Não é justo que você se culpe. 
Nossos monstros adormecidos não são despertados por nós mesmos. Mas cabe a nós acalmá-los. E só quem sabe como fazer isso é você mesmo.

A.S.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

UM ABRAÇO


Notícias ruins, recebemos elas a todo tempo! Um casal amigo que se separa, um irmão que perde o emprego, um amigo que está mudando para longe, alguém que perdeu o animal de estimação e de quebra o melhor amigo, um familiar que se adoenta, e assim continua, a vida vai jogando todo esse enredo nas páginas da nossa vida, sem ao menos nos consultar, mesmo sabendo que somos nós os protagonistas dessa história.
Bom, depois que essas notícias são recebidas precisamos saber o que fazer com elas, como reagir àquela situação. Como confortar o amigo que acaba te dizer que tem câncer? O que dizer ao colega de trabalho que teve sua autoestima destruída depois da demissão? O que fazer com as lágrimas de um coração partido?
Hoje eu recebi a minha notícia ruim. Então entendi que não precisava dizer nada, no meu caso, um abraço era o melhor a ser feito. Um abraço pode conter todas as palavras que você não conseguiu dizer. Um abraço é capaz de transmitir toda a força que uma alma precisa. Um abraço.   
A.S.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

CAÇANDO PALAVRAS



Escrever. Ato de pegar papel, caneta e lápis, juntar as letras e organizar suas ideias, ou mais modernamente, colocar-se diante de um teclado e digitar. Mas, Deus do Céu, como é difícil arranjar as ideias que pulam dentro da massa cefálica e transformá-las num texto coerente!
Estou a dias tentando escrever algo e não consigo constituir as ideias a ponto de descrever os fatos do cotidiano que tanto me encantaram. Como eu queria falar sobre o raio de sol que passou pela teia da aranha que estava banhada de orvalho - a teia e não a aranha - e que deixou as crianças loucas imaginando tantas histórias de fadas. Queria falar da sombra projetada na parede e as crianças gritando Peter Pan! Peter Pan! Queria falar da chuva que caiu na madrugada me acordando com os estrondos dos trovões e eu, medrosa que sou, desta vez agradeci aos céus pela chuva que anda tão escassa. Queria falar da falta de água, do rio da minha cidade que anda tão seco, mostrando seu leito de pedras tal qual um cão abandonado, pele e ossos. Queria falar de abandonos e das pessoas que estão secas de sentimentos.
tanta coisa pra ser dita! Quero falar das pessoas que passam apressadas, quero pedir mais calma, mais observação, mais ócio. Nossa, tenho tanto pra falar do ócio! Quero escrever sobre o balé das sombrinhas nesta tarde chuvosa e do encanto que é minha orquídea, espalhando uma beleza azul, tão linda e tão efêmera...
Tenho muito para escrever, mas as palavras fogem de mim como confetes na ventania e ficam pairando no ar, encantando ao longe, brincando em minha cabeça.
Por isso sou tão dos escritores, os senhores do enredo que puxam um fio e criam coisas fantásticas, mundos, universos. Meu profundo respeito aos alquimistas das palavras que transformam cotidiano em tesouros fantásticos.
Quanto a mim, ficarei aqui correndo atrás de minhas palavras; borboletas travessas que não se deixam pegar.
Lila Mah

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A VIDA COBRA PELAS NOSSAS ESCOLHAS



Dificilmente passaremos por um término de relacionamento no qual não haja sofrimento, mágoas, arrependimentos, brigas, lágrimas, culpas e por aí vai. Hoje uma amiga me confidenciou que reatou um relacionamento. O término havia acontecido há 56 dias - sim, ela contou os dias e as horas - com ele alegando que precisa de um tempo sozinho.
Nesse tempo de separação ela sempre mostrou-se disponível a reatar o relacionamento, querendo reconquistá-lo, mas ele dizia que precisava pensar mais. Até que em um dia ela descobriu que, na verdade, ele já tinha um outro relacionamento. Ela criou coragem e disse que a partir daquele momento estava tudo terminado e que ele podia seguir a vida que escolheu. Então, repentinamente, tudo mudou, e quem estava indisponível e precisando de um tempo, mais do que rápido sacudiu a poeira e esqueceu os problemas.
Um dia, esse foi o tempo que ele demorou para convencê-la de que estava arrependido e que queria voltar. Ela, num ato que definiu como amor, aceitou seus pedidos de perdão.
Mas o que não tive coragem de dizer a ela foi que não acreditava que ele reatou o relacionamento porque ainda queria estar com ela. Na verdade, ele não tinha consciência do que estava fazendo. Quando foi pego em flagrante na traição e no verdadeiro motivo do pedido de tempo no relacionamento, ele, pela primeira vez, sentiu que realmente poderia perdê-la, e num ato de puro egoísmo, ainda que um egoísmo inconsciente, preferiu colocá-la novamente entre os seus braços.
Sinto como se ele tivesse tido a sensação de perder uma coisa que ele sabia que iria fazer falta, mas que apesar da vontade de seguir em frente, de não querer retroceder, agiu da forma mais humana possível, não foi capaz de lidar com o seu próprio sofrimento e de aceitar a sua verdadeira escolha.
A.S.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

DAS VOLTAS QUE A VIDA DÁ



Nunca começo um texto pelo título, sempre o escolho depois de ter terminado todo o texto, assim tento captar toda a essência do que foi dito e transmitir para o título - nem sempre cumpro muito bem esta tarefa, claro. Mas hoje decidi fazer diferente, tinha um título, mas não sabia o que escrever sobre o assunto. Das voltas que a vida dá.
Parei para pensar um pouco e percebi que tenho muito a falar sobre isso. Às vezes podemos nos pegar pensando como é que viemos chegar no atual estágio de nossas vidas. Se voltássemos dois anos no tempo talvez não apostaríamos nem um centavo se nos disséssemos que estaríamos em determinada posição ou lugar. Essa posição pode ser boa ou ruim, triste ou feliz e o lugar pode ser um bem improvável.
No meu caso, tem um ponto muito interessante em que a vida me deu uma verdadeira virada de 360 graus. Mudei de cidade e de estado. Tive que me afastar de toda minha família, justo eu que me sinto às vezes em “Brothers&Sisters!”, um seriado que contava a vida de uma família com uma mãe e seis irmãos, na qual todos davam pitaco na vida de todos, brigavam, mas choravam e se beijam pedindo perdão no instante seguinte. Tudo era intenso, o amor e as brigas. Minha família é assim, e como ela me faz falta.
Acho que dificilmente vamos encontrar alguém que não tenha vivido uma virada que a vida lhe deu e o deixou com cabelos bagunçados e a roupa desalinhada. Queria hoje poder apostar na próxima virada que a vida vai me dar, mas ela é tão surpreendente que se me contassem este caminho provavelmente diria “ah, nesse caminho não aposto um centavo sequer".  
A.S.

MARIPOSA NA JANELA



Dia desses fiquei observando uma mariposa que, desesperadamente, tentava voar para fora, mas o vidro da janela não a deixava passar.
Pensei na inutilidade de seus esforços e de como era tola em não perceber que ali havia um obstáculo.
Então, subitamente, cai em mim e percebi de quantas vezes na vida não somos como aquela mariposa. Quantas vezes não ficamos nos debatendo junto a uma situação, tentando chegarao outro ladoe ficamos ali tentando,tentando... perdendo nossasasasnum esforço vão.
Lila Mah



sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O CAMINHO ESCOLHIDO

Ele queria mudar radicalmente de vida! Começou cortando os cabelos e pintando-os de azul. Rasgou meia dúzia de calças jeans, comprou algumas pulseiras e colares. Mudou seu linguajar e começou a usar gírias. Não queria mais ser o menino bom - mas queria continuar sendo do bem - não gostava mais de ser o aluno exemplar, o menino bem cuidado, não queria ser a expectativa de um futuro promissor para ninguém. Julgava-se pronto para apresentar ao mundo seu novo eu.
Sentia-se cheio de energia e passou a ser a expectativa de si mesmo. Largou as aulas extras de matemática, já que ele amava mesmo a literatura. Começou a escrever seus textos e sua história. Amava seu cabelo azul, seu jeans rasgado, sua postura despreocupada. Sentia-se agora no caminho certo.
O tempo passou, o cabelo cresceu e perdeu o tom azulado, os jeans rasgados se tronaram inutilizados, as gírias foram sendo esquecidas. Mas a postura despreocupada continuou a mesma, as aulas de matemáticas nunca foram retomadas e somente cumpria as expectativas criadas por ele mesmo.
O tempo passou. Olhou-se no espelho, viu a mesma aparência séria de tempos atrás. Sorriu contidamente, ajeitou os novos óculos, e continuou seguindo o caminho que o menino de cabelos azuis escolheu. 
A.S.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

REPLETO DE NADA

Dificilmente me proponho a escrever sem estar inspirado, sem ter um assunto previamente estabelecido, mesmo que apenas em notas mentais. Hoje me propus a iniciar um texto sem ter nada em mente, sem ter nenhum tipo de emoção me aflorando, apenas para ver o que poderia sair desse "nada".
Com a leveza de se inciar um texto assim, percebi que às vezes é bom estar completo de nada. Lembrei-me da minha infância no interior, quando deitava sobre a grama, debaixo de uma árvore, no outono, quando mal se sentia o sol, e ficava ali, pensando em absolutamente nada. Via as folhas balançarem, os pássaros pousando em alguns galhos, e sequer passava pela minha cabeça como seria meu futuro, ou melhor, nem queria saber se o teria, tamanho estado de nada que me completava.
Hoje em dia são raros os momentos em que me pego com esse sentimento. Minha cabeça anda sempre tão cheia de pensamentos. Pensamentos dos mais variados, sobre o medo de perder minha família, sobre a distância dela, sobre meu caminho profissional, meu relacionamento, sobre o que fazer numa sexta à noite, sobre ter que acordar cedo todos os dias, sobre o que realmente eu gosto de fazer. São infinitos pensamentos.
Muita falta me faz ter esses momentos em minha vida, eles realmente foram uma parte importante da minha infância. A última vez que me lembro de ter revivido esse momento foi na véspera de meu aniversário de vinte e oito anos, quando pude relaxar e ficar completo de nada sob uma árvore, vendo as folhas balançarem sob o sol.
Mas esse nada não se confunde com vazio, pois estar vazio implica ausência de sentimentos, e no meu nada estou repleto dos melhores deles. É como acontece com a cor branca, que apesar de parecer a ausência de cores, na verdade, surge da comunhão de todas elas.
A.S.



quarta-feira, 15 de outubro de 2014

SOBRE PAIXÕES

Amo meus amigos, ainda mais porque vem de situações que acabo vivendo com eles a inspiração para poder escrever! Desta vez não foi diferente. Uma amiga me diz que saiu com um cara, super inteligente, fofo, e o melhor de tudo, uma verdadeira máquina de sexo, não pela quantidade mas sim pela qualidade. Até aí tudo bem, se não fosse ela dizer que não pode mais encontrá-lo, e que no máximo poderiam se ver para um sexo casual, pois não podia correr o risco de se apaixonar. Ela tinha os seus motivos para não querer, e eu respeitei.
Mas será que realmente somos frios o suficiente para bloquearmos uma paixão? Justo a paixão, esse sentimento tão avassalador!
Analisando por um ótica pessoal, quando me apaixonei – o que aconteceu apenas uma vez na minha vida - eu teria deixado tudo, me mudado para Bangladesh, se isso fosse necessário para viver o que estava sentido, mas era uma menino, com apenas vinte e dois anos de idade. Hoje talvez poderia ter a frieza necessária para racionalizar no que implicaria me mudar para Bangladesh e deixaria minha paixão partir, embora permanecesse em estado de paixão absoluta.
Se me apaixonasse novamente, com certeza vivenciaria toda a história de forma diferente. Me colocaria em primeiro lugar. Pensaria nos prós e contras. Melhor sofrer por uma potencial paixão não concretizada do que catar os meus próprios cacos espalhados pelo chão, quando o sentimento já tivesse se enraizado. A vida vai nos dando esses escudos.
Acredito que somos capazes de racionalizar antes de deixarmos que o sentimento nos invada, mas para isso precisamos de uma frieza que apenas conquistamos com o tempo, com as paixões mal resolvidas do passado. Por isso desconfio muito de quem alega que não tinha opção porque estava apaixonado. A paixão só é cega quando é pura e inocente, e isso só acontece quando nos apaixonamos pela primeira vez.
A.S.


terça-feira, 14 de outubro de 2014

AMADURECENDO

Hoje, enquanto conversava com um amigo de outro estado e em tempo real - amo apreciar como a tecnologia evoluiu facilitando a nossa vida -, perguntei a ele como andava a sua vida amorosa, já que ele estava solteiro, como resposta obtive um: desisti de procurar, saí desses sites de relacionamento, pegação e tudo mais; e eu, em um ato para confortá-lo disse que talvez quando deixamos de procurar é que podemos realmente encontrar.
Bom, quando terminei a conversa logo me peguei pensando se isso seria realmente verdade. Mas a surpresa está na resposta, realmente acredito que sim!
Não preciso citar os inúmeros exemplos que tenho de casos verdadeiros em que o encontro se deu em um ambiente totalmente diferente daquele destinado à azaração. Mas olhando ainda mais para dentro do problema vejo que quando paramos de procurar, inevitavelmente relaxamos, deixamos de dar chance a pessoas que realmente em nada tem a ver com a gente, aquela pessoa que a gente sente que não vai rolar, mas pela simples expectativa do “vai que...” decidimos por tentar mais uma vez.
Quando deixamos de procurar assumimos que não estamos mais dispostos a aceitar qualquer um, senão aquele que irá preencher os requisitos mínimos exigidos pelo nosso coração, assumimos que estamos bem sozinhos, que somos uma ótima companhia para nós mesmos. Nos enchemos de nós mesmos, e nada mais atraente do que reluzir isso aos outros.
Assim, percebo que deixar de procurar não é o fato que nos faz encontrar aquele que por muito tempo procuramos. Deixar de procurar é o o efeito gerado pela constatação do nosso interior de que amadurecemos, que não iremos mais nos contentar com expectativas vazias, e que sim, muito melhor será um vinho com amigos, um livro interessante ou um filme na TV, do que mais um encontro no escuro. Autoconfiança talvez seja afrodisíaco.
A.S.



sexta-feira, 10 de outubro de 2014

AH, A IMAGINAÇÃO!

Vontade de trair. Digo trair em um relacionamento, ceder ao desejo da carne pura e simplesmente, sem perspectiva de um retorno afetivo. Todos somos capazes? Será essa uma das essências do ser humano? Um dia todos trairemos ou seremos traídos? Quando uma pessoa se pega em seu primeiro “pensamento traidor” estará ela num caminho sem volta?Mas a pergunta que talvez mais perturbe é: será que valerá a pena?
Nesse tema, como já deu para perceber, sou apenas perguntas. O medo de enveredar por algo tão obscuro me gera um grande medo, o medo da perda. Jogar para o alto anos de um relacionamento estável e feliz por um momento de prazer com misto de curiosidade.
Mas o que algumas pessoas podem estar se perguntando é, como alguém pode pensar em trair se seu atual status é “em um relacionamento feliz”? Mas é aí a raiz da questão, nem toda traição tem a ver com insatisfação no relacionamento, e além do mais a monogamia nada mais é do que uma construção social, já que no meio natural podemos contar nos dedos de uma mão - e ainda sobrariam dedos - os bichinhos que se propõe a este papel, o de homem e mulher fiel.
Se hoje me fosse indagado se seria capaz de trair, prontamente responderia que não, acontece que ainda somos fruto do meio em que vivemos, e, parafraseando Karl Marx, ninguém nasce fiel ou infiel. Mas ao mesmo tempo que entendo a monogamia como fato social, aceito a importância dela na construção do meu relacionamento e também entendo relacionamentos que não se pautam nela como pilar de sustentação.
E o mais importante nisso tudo é que hoje percebo a necessidade de controlarmos nossos desejos, alguns são tão exitantes apenas porque vivem no mundo da fantasia, e esta é uma das graças de ser humano, poder se satisfazer apenas com a imaginação.
A.S.

ACEITANDO AS FASES

Apatia. Existem fases em nossa vida que somente podem ser definidas como apáticas. Sem vontade de sair para uma balada, namorar, amigos, família... O que queremos mesmo é ficar sob o conforto do nosso teto, bem esparramados no sofá, vendo o que a TV tem a nos oferecer. De onde vem tamanho desânimo? Seremos nós futuros depressivos irremediados?
Não sei se toda essa situação realmente me incomoda, pois se já foi detectado apenas como uma fase, melhor esperá-la passar sem grandes confrontos pessoais, sabendo aproveitar o momento introspectivo. Isso eu já decidi para mim.
O problema acontece quando realmente confundimos a apatia desta fase, e passamos a interpretá-la como algo que queremos para a nossa vida, como se isso fosse fruto de uma insatisfação no relacionamento, no trabalho, na vida familiar ou com um grupo de amigos. Terminar um namoro durante a fase da apatia é um tremendo erro, vejo arrependimento certo, caso isso ocorra. 
De certa forma, o ser humano comum não sabe lidar com fases, e pra priorar confunde a apatia com tristeza - lembro-me de um amigo que dizia confundir tristeza com sono e vice-versa. Então imagine juntarmos uma fase com apatia que é confundida com tristeza? Muita bagunça pode vir por aí...
Acredito que aceitarmos nossas fases é ponto importante de conhecimento de nós mesmos, e assim como temos os momentos de euforia, também teremos momentos de pura apatia. Mas que fique claro, apatia em nada tem a ver com tristeza, essa nos domina até a alma.
A.S.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

MEMÓRIAS

Durante muito tempo fitei na minha estante um caderno que havia ganhado de um amigo. Pretendia nele escrever sobre a minha vida, fatos cotidianos ou eventos que me marcassem, de forma positiva ou negativa. No entanto, nunca tive coragem de me levantar da cama, pegar uma caneta, e começar a escrever nesse caderno.
Por um tempo não quis analisar o porquê de me negar a escrever minha história, algo que objetivamente seria muito fácil de se fazer. Mas hoje, quase dois anos depois de ter sido presenteado com aquele caderno – como o tempo passa, mal acredito que todo esse tempo se arrastou e eu nada fiz em relação a isso -, num rompante, sem saber o que escreveria ou sem pensar nas dificuldades que tinha de me aproximar deste caderno, catei-o no canto esquecido da estante e decidi abri-lo.
Bom, o que escrever agora, me perguntei. E como primeiro pensamento me veio à mente: por que exitei, por tanto tempo, fazer algo tão simples? Escrever!
Agora, enquanto escrevo neste caderno, percebo que o que eu não queria era, quando as rugas já tomassem conta do meu rosto, voltar no tempo e me lembrar de todas as histórias que me fizeram sofrer, com certeza meu caderno estaria cheio delas, até porque não somos seletivos quando precisamos escrever sobre uma dor. A dor nos inspira mais do que a alegria, e este meu lado humano não precisaria ser relembrado.
Decidi então que seria melhor escrever crônicas. Crônicas sobre pessoas desconhecidas. Elas seriam eu, mas que por tomarem feições e roupagens diferentes, no futuro não me remeteriam a mim, mas eu saberia, lá no fundo, que o sentimento daquele texto partiu de mim, de um momento que eu vivi, que eu senti. Esse sou eu, sempre preferindo deixar meus sentimentos subentendidos. Será isso uma defesa por causa do medo de sofrer com feridas que ainda não foram cicratizadas? Não sei... Mas talvez isso seja assunto para outra crônica, na qual não serei eu o personagem principal.
A.S.