Quando
eramos crianças e morríamos de medo de lugares escuros; quem nunca
achou que havia um monstro escondido debaixo da cama, dentro do
armário ou atrás da porta?
Quem
poderia explicar um medo assim, de algo que não se vê, de que não
se tem a menor ideia de como seja?
Crescemos,
e, num belo dia, nos deparamos com “aquele” monstro. Sim. Aquele
monstro sem face, sem forma. Mas com a presença. A promessa. O Medo.
E onde jamais poderíamos crer que o encontraríamos, ele aparece,
dentro de nós mesmo.
Sim,
dentro de mim. De você. Naquele simpático senhor que nos dá bom
dia; naquela senhora carinhosa com seus netinhos, naquele distinto
senhor de terno e gravata, no jovem que anda despreocupadamente, no
carinha do bar, na menina da escola. Sim. Carregamos potencialmente
um monstro oculto e ele sai da escuridão cada vez que uma voz se
eleva, cada vez que permitimos a raiva dominar nossos atos.
A
nós cabe não apenas manter a porta bem trancada, mas também não
alimentá-lo, pois, se lhe damos o que comer, ele cria forças e
despedaça as correntes que entrelaçavam a porta, fugindo, sem rumo,
sem direção; e o que esperar de um monstro que ultrapassa as cercas
de seu calabouço?
Lila Mah.
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