quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A VIDA COBRA PELAS NOSSAS ESCOLHAS



Dificilmente passaremos por um término de relacionamento no qual não haja sofrimento, mágoas, arrependimentos, brigas, lágrimas, culpas e por aí vai. Hoje uma amiga me confidenciou que reatou um relacionamento. O término havia acontecido há 56 dias - sim, ela contou os dias e as horas - com ele alegando que precisa de um tempo sozinho.
Nesse tempo de separação ela sempre mostrou-se disponível a reatar o relacionamento, querendo reconquistá-lo, mas ele dizia que precisava pensar mais. Até que em um dia ela descobriu que, na verdade, ele já tinha um outro relacionamento. Ela criou coragem e disse que a partir daquele momento estava tudo terminado e que ele podia seguir a vida que escolheu. Então, repentinamente, tudo mudou, e quem estava indisponível e precisando de um tempo, mais do que rápido sacudiu a poeira e esqueceu os problemas.
Um dia, esse foi o tempo que ele demorou para convencê-la de que estava arrependido e que queria voltar. Ela, num ato que definiu como amor, aceitou seus pedidos de perdão.
Mas o que não tive coragem de dizer a ela foi que não acreditava que ele reatou o relacionamento porque ainda queria estar com ela. Na verdade, ele não tinha consciência do que estava fazendo. Quando foi pego em flagrante na traição e no verdadeiro motivo do pedido de tempo no relacionamento, ele, pela primeira vez, sentiu que realmente poderia perdê-la, e num ato de puro egoísmo, ainda que um egoísmo inconsciente, preferiu colocá-la novamente entre os seus braços.
Sinto como se ele tivesse tido a sensação de perder uma coisa que ele sabia que iria fazer falta, mas que apesar da vontade de seguir em frente, de não querer retroceder, agiu da forma mais humana possível, não foi capaz de lidar com o seu próprio sofrimento e de aceitar a sua verdadeira escolha.
A.S.

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