Quando
eu
era
criança,
esperava
ansiosa
meu
pai
ir
à
peixaria
e
trazer
o
peixe
embrulhado
no
jornal
– o
peixe
era
irrelevante,
para
mim,
a
riqueza
estava
lá
no
jornal
e
eu
lia
tudo
que
havia
nele,
geralmente
eram
os
classificados,
mas
não
importava,
o
mais
interessante
era
poder
ler
algo
novo;
era
sentir
fazer
parte
do
mundo.
Aquelas
paginas
fedidas
de
peixe,
eram
meu
portal,
meu
tapete
mágico...
por
alguns
momentos
eu
sentia
a
liberdade.
Quando
fui
para
a
escola,
eu
devorava
os
livros
de
português
e
história.
Nunca
pude
entender
que
havia
crianças
que
detestavam
ler,
e
elas
tinham
mais
oportunidades
de
ter
um
livro
do
que
eu!
Acredito
que
essa
contestação
foi
a
primeira
sobre
as
diferenças
de
oportunidades.
Não
sei
por
que
essas
lembranças
vieram
pousar
sobre
meus
ombros
hoje,
talvez
seja
por
conta
dessas
reflexões
de
final/inicio
de
ano...e,
se
for, desejo
de
bom
neste
novo
ano
que
nasce,
mais
leitores,
mais
crianças
famintas
por
livros,
como
eu
fui,
e
que
tenham
muito
mais
oportunidades
de
leitura,
e,
que
você,
leve
seu
coração
para
passear
entre
as
frases
de
um
livro;
procure
uma
livraria,
uma
biblioteca,
folheie
aquele
livro
que
seu
amigo
tem
em
casa
e
deixe
sua
alma
ser
seduzida
pela
ideia
de
alguém,
que
mesmo
momentaneamente,
deixe
o
outro
falar
em
você.
Lila Mah.