Escrever. Ato de pegar papel, caneta e lápis, juntar as letras e organizar suas ideias, ou mais modernamente, colocar-se diante de um teclado e digitar. Mas, Deus do Céu, como é difícil arranjar as ideias que pulam dentro da massa cefálica e transformá-las num texto coerente!
Estou
a
dias
tentando
escrever
algo
e
não
consigo
constituir
as
ideias
a
ponto
de
descrever
os
fatos
do
cotidiano
que
tanto
me
encantaram.
Como
eu
queria
falar
sobre
o
raio
de
sol
que
passou
pela
teia
da
aranha
que
estava
banhada
de
orvalho
-
a
teia
e
não
a
aranha - e
que
deixou
as
crianças
loucas
imaginando
tantas
histórias
de
fadas.
Queria
falar
da
sombra
projetada
na
parede
e
as
crianças
gritando
Peter
Pan! Peter
Pan! Queria
falar
da
chuva
que
caiu
na
madrugada
me
acordando
com
os
estrondos dos
trovões
e
eu,
medrosa
que
sou,
desta
vez
agradeci
aos
céus
pela
chuva
que
anda
tão
escassa.
Queria
falar
da
falta
de
água,
do
rio
da
minha
cidade
que
anda
tão
seco,
mostrando
seu
leito
de
pedras
tal
qual
um
cão
abandonado,
só
pele
e
ossos. Queria
falar
de
abandonos
e
das
pessoas
que
estão
secas
de
sentimentos.
Há
tanta
coisa
pra
ser
dita! Quero
falar
das
pessoas
que
passam
apressadas,
quero
pedir
mais
calma,
mais
observação,
mais
ócio.
Nossa,
tenho
tanto
pra
falar
do
ócio!
Quero
escrever
sobre
o
balé
das
sombrinhas
nesta
tarde
chuvosa
e
do
encanto
que
é
minha
orquídea,
espalhando
uma
beleza
azul,
tão
linda
e
tão
efêmera...
Tenho
muito
para
escrever,
mas
as
palavras
fogem
de
mim
como
confetes
na
ventania
e
ficam
pairando
no
ar,
encantando
ao
longe,
brincando
em
minha
cabeça.
Por
isso
sou
tão
fã
dos
escritores,
os
senhores
do
enredo
que
puxam
um
fio
e
criam
coisas
fantásticas,
mundos,
universos.
Meu
profundo
respeito
aos
alquimistas
das
palavras
que
transformam
cotidiano
em
tesouros
fantásticos.
Quanto
a mim, ficarei aqui correndo atrás de minhas palavras; borboletas
travessas que não se deixam pegar.
Lila Mah
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