segunda-feira, 27 de outubro de 2014

CAÇANDO PALAVRAS



Escrever. Ato de pegar papel, caneta e lápis, juntar as letras e organizar suas ideias, ou mais modernamente, colocar-se diante de um teclado e digitar. Mas, Deus do Céu, como é difícil arranjar as ideias que pulam dentro da massa cefálica e transformá-las num texto coerente!
Estou a dias tentando escrever algo e não consigo constituir as ideias a ponto de descrever os fatos do cotidiano que tanto me encantaram. Como eu queria falar sobre o raio de sol que passou pela teia da aranha que estava banhada de orvalho - a teia e não a aranha - e que deixou as crianças loucas imaginando tantas histórias de fadas. Queria falar da sombra projetada na parede e as crianças gritando Peter Pan! Peter Pan! Queria falar da chuva que caiu na madrugada me acordando com os estrondos dos trovões e eu, medrosa que sou, desta vez agradeci aos céus pela chuva que anda tão escassa. Queria falar da falta de água, do rio da minha cidade que anda tão seco, mostrando seu leito de pedras tal qual um cão abandonado, pele e ossos. Queria falar de abandonos e das pessoas que estão secas de sentimentos.
tanta coisa pra ser dita! Quero falar das pessoas que passam apressadas, quero pedir mais calma, mais observação, mais ócio. Nossa, tenho tanto pra falar do ócio! Quero escrever sobre o balé das sombrinhas nesta tarde chuvosa e do encanto que é minha orquídea, espalhando uma beleza azul, tão linda e tão efêmera...
Tenho muito para escrever, mas as palavras fogem de mim como confetes na ventania e ficam pairando no ar, encantando ao longe, brincando em minha cabeça.
Por isso sou tão dos escritores, os senhores do enredo que puxam um fio e criam coisas fantásticas, mundos, universos. Meu profundo respeito aos alquimistas das palavras que transformam cotidiano em tesouros fantásticos.
Quanto a mim, ficarei aqui correndo atrás de minhas palavras; borboletas travessas que não se deixam pegar.
Lila Mah

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