sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O MEU NÃO EU

Diante de certas circunstâncias nos tornamos pessoas que não reconhecemos, tomamos atitudes que dizíamos ser incapazes de fazer, magoamos pessoas que não queríamos magoar. Mas de quem é a verdadeira culpa quando tudo isso ocorre? Devemos trazer para os nossos ombros esse peso? A culpada é da própria circunstância? Ou simplesmente a culpa é do outro?
Se assumimos a responsabilidade, nos declaramos culpados e sem direito à fiança. Se dizemos que a culpa é da circunstância, seremos julgados e punidos, mas não cumpriremos a pena. Se jogamos a culpa no colo do outro, saímos impunes, pela ausência de materialidade da autoria.
Mas no que eu realmente acredito? Acredito que somos vítimas das circunstâncias. Quando uma situação é lavada ao extremo, ao limite da nossa força física e mental, não podemos nos culpar por nossas atitudes.
Se de repente você entende que sua última saída é tomar aquela medida extrema que prove que você não estava errada, que te proporcione uma nova esperança naquele relacionamento, ou mesmo que faça com que você se reconcilie com sua autoestima, você não pode se culpar. Não é justo que você se culpe. 
Nossos monstros adormecidos não são despertados por nós mesmos. Mas cabe a nós acalmá-los. E só quem sabe como fazer isso é você mesmo.

A.S.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

UM ABRAÇO


Notícias ruins, recebemos elas a todo tempo! Um casal amigo que se separa, um irmão que perde o emprego, um amigo que está mudando para longe, alguém que perdeu o animal de estimação e de quebra o melhor amigo, um familiar que se adoenta, e assim continua, a vida vai jogando todo esse enredo nas páginas da nossa vida, sem ao menos nos consultar, mesmo sabendo que somos nós os protagonistas dessa história.
Bom, depois que essas notícias são recebidas precisamos saber o que fazer com elas, como reagir àquela situação. Como confortar o amigo que acaba te dizer que tem câncer? O que dizer ao colega de trabalho que teve sua autoestima destruída depois da demissão? O que fazer com as lágrimas de um coração partido?
Hoje eu recebi a minha notícia ruim. Então entendi que não precisava dizer nada, no meu caso, um abraço era o melhor a ser feito. Um abraço pode conter todas as palavras que você não conseguiu dizer. Um abraço é capaz de transmitir toda a força que uma alma precisa. Um abraço.   
A.S.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

CAÇANDO PALAVRAS



Escrever. Ato de pegar papel, caneta e lápis, juntar as letras e organizar suas ideias, ou mais modernamente, colocar-se diante de um teclado e digitar. Mas, Deus do Céu, como é difícil arranjar as ideias que pulam dentro da massa cefálica e transformá-las num texto coerente!
Estou a dias tentando escrever algo e não consigo constituir as ideias a ponto de descrever os fatos do cotidiano que tanto me encantaram. Como eu queria falar sobre o raio de sol que passou pela teia da aranha que estava banhada de orvalho - a teia e não a aranha - e que deixou as crianças loucas imaginando tantas histórias de fadas. Queria falar da sombra projetada na parede e as crianças gritando Peter Pan! Peter Pan! Queria falar da chuva que caiu na madrugada me acordando com os estrondos dos trovões e eu, medrosa que sou, desta vez agradeci aos céus pela chuva que anda tão escassa. Queria falar da falta de água, do rio da minha cidade que anda tão seco, mostrando seu leito de pedras tal qual um cão abandonado, pele e ossos. Queria falar de abandonos e das pessoas que estão secas de sentimentos.
tanta coisa pra ser dita! Quero falar das pessoas que passam apressadas, quero pedir mais calma, mais observação, mais ócio. Nossa, tenho tanto pra falar do ócio! Quero escrever sobre o balé das sombrinhas nesta tarde chuvosa e do encanto que é minha orquídea, espalhando uma beleza azul, tão linda e tão efêmera...
Tenho muito para escrever, mas as palavras fogem de mim como confetes na ventania e ficam pairando no ar, encantando ao longe, brincando em minha cabeça.
Por isso sou tão dos escritores, os senhores do enredo que puxam um fio e criam coisas fantásticas, mundos, universos. Meu profundo respeito aos alquimistas das palavras que transformam cotidiano em tesouros fantásticos.
Quanto a mim, ficarei aqui correndo atrás de minhas palavras; borboletas travessas que não se deixam pegar.
Lila Mah

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A VIDA COBRA PELAS NOSSAS ESCOLHAS



Dificilmente passaremos por um término de relacionamento no qual não haja sofrimento, mágoas, arrependimentos, brigas, lágrimas, culpas e por aí vai. Hoje uma amiga me confidenciou que reatou um relacionamento. O término havia acontecido há 56 dias - sim, ela contou os dias e as horas - com ele alegando que precisa de um tempo sozinho.
Nesse tempo de separação ela sempre mostrou-se disponível a reatar o relacionamento, querendo reconquistá-lo, mas ele dizia que precisava pensar mais. Até que em um dia ela descobriu que, na verdade, ele já tinha um outro relacionamento. Ela criou coragem e disse que a partir daquele momento estava tudo terminado e que ele podia seguir a vida que escolheu. Então, repentinamente, tudo mudou, e quem estava indisponível e precisando de um tempo, mais do que rápido sacudiu a poeira e esqueceu os problemas.
Um dia, esse foi o tempo que ele demorou para convencê-la de que estava arrependido e que queria voltar. Ela, num ato que definiu como amor, aceitou seus pedidos de perdão.
Mas o que não tive coragem de dizer a ela foi que não acreditava que ele reatou o relacionamento porque ainda queria estar com ela. Na verdade, ele não tinha consciência do que estava fazendo. Quando foi pego em flagrante na traição e no verdadeiro motivo do pedido de tempo no relacionamento, ele, pela primeira vez, sentiu que realmente poderia perdê-la, e num ato de puro egoísmo, ainda que um egoísmo inconsciente, preferiu colocá-la novamente entre os seus braços.
Sinto como se ele tivesse tido a sensação de perder uma coisa que ele sabia que iria fazer falta, mas que apesar da vontade de seguir em frente, de não querer retroceder, agiu da forma mais humana possível, não foi capaz de lidar com o seu próprio sofrimento e de aceitar a sua verdadeira escolha.
A.S.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

DAS VOLTAS QUE A VIDA DÁ



Nunca começo um texto pelo título, sempre o escolho depois de ter terminado todo o texto, assim tento captar toda a essência do que foi dito e transmitir para o título - nem sempre cumpro muito bem esta tarefa, claro. Mas hoje decidi fazer diferente, tinha um título, mas não sabia o que escrever sobre o assunto. Das voltas que a vida dá.
Parei para pensar um pouco e percebi que tenho muito a falar sobre isso. Às vezes podemos nos pegar pensando como é que viemos chegar no atual estágio de nossas vidas. Se voltássemos dois anos no tempo talvez não apostaríamos nem um centavo se nos disséssemos que estaríamos em determinada posição ou lugar. Essa posição pode ser boa ou ruim, triste ou feliz e o lugar pode ser um bem improvável.
No meu caso, tem um ponto muito interessante em que a vida me deu uma verdadeira virada de 360 graus. Mudei de cidade e de estado. Tive que me afastar de toda minha família, justo eu que me sinto às vezes em “Brothers&Sisters!”, um seriado que contava a vida de uma família com uma mãe e seis irmãos, na qual todos davam pitaco na vida de todos, brigavam, mas choravam e se beijam pedindo perdão no instante seguinte. Tudo era intenso, o amor e as brigas. Minha família é assim, e como ela me faz falta.
Acho que dificilmente vamos encontrar alguém que não tenha vivido uma virada que a vida lhe deu e o deixou com cabelos bagunçados e a roupa desalinhada. Queria hoje poder apostar na próxima virada que a vida vai me dar, mas ela é tão surpreendente que se me contassem este caminho provavelmente diria “ah, nesse caminho não aposto um centavo sequer".  
A.S.

MARIPOSA NA JANELA



Dia desses fiquei observando uma mariposa que, desesperadamente, tentava voar para fora, mas o vidro da janela não a deixava passar.
Pensei na inutilidade de seus esforços e de como era tola em não perceber que ali havia um obstáculo.
Então, subitamente, cai em mim e percebi de quantas vezes na vida não somos como aquela mariposa. Quantas vezes não ficamos nos debatendo junto a uma situação, tentando chegarao outro ladoe ficamos ali tentando,tentando... perdendo nossasasasnum esforço vão.
Lila Mah



sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O CAMINHO ESCOLHIDO

Ele queria mudar radicalmente de vida! Começou cortando os cabelos e pintando-os de azul. Rasgou meia dúzia de calças jeans, comprou algumas pulseiras e colares. Mudou seu linguajar e começou a usar gírias. Não queria mais ser o menino bom - mas queria continuar sendo do bem - não gostava mais de ser o aluno exemplar, o menino bem cuidado, não queria ser a expectativa de um futuro promissor para ninguém. Julgava-se pronto para apresentar ao mundo seu novo eu.
Sentia-se cheio de energia e passou a ser a expectativa de si mesmo. Largou as aulas extras de matemática, já que ele amava mesmo a literatura. Começou a escrever seus textos e sua história. Amava seu cabelo azul, seu jeans rasgado, sua postura despreocupada. Sentia-se agora no caminho certo.
O tempo passou, o cabelo cresceu e perdeu o tom azulado, os jeans rasgados se tronaram inutilizados, as gírias foram sendo esquecidas. Mas a postura despreocupada continuou a mesma, as aulas de matemáticas nunca foram retomadas e somente cumpria as expectativas criadas por ele mesmo.
O tempo passou. Olhou-se no espelho, viu a mesma aparência séria de tempos atrás. Sorriu contidamente, ajeitou os novos óculos, e continuou seguindo o caminho que o menino de cabelos azuis escolheu. 
A.S.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

REPLETO DE NADA

Dificilmente me proponho a escrever sem estar inspirado, sem ter um assunto previamente estabelecido, mesmo que apenas em notas mentais. Hoje me propus a iniciar um texto sem ter nada em mente, sem ter nenhum tipo de emoção me aflorando, apenas para ver o que poderia sair desse "nada".
Com a leveza de se inciar um texto assim, percebi que às vezes é bom estar completo de nada. Lembrei-me da minha infância no interior, quando deitava sobre a grama, debaixo de uma árvore, no outono, quando mal se sentia o sol, e ficava ali, pensando em absolutamente nada. Via as folhas balançarem, os pássaros pousando em alguns galhos, e sequer passava pela minha cabeça como seria meu futuro, ou melhor, nem queria saber se o teria, tamanho estado de nada que me completava.
Hoje em dia são raros os momentos em que me pego com esse sentimento. Minha cabeça anda sempre tão cheia de pensamentos. Pensamentos dos mais variados, sobre o medo de perder minha família, sobre a distância dela, sobre meu caminho profissional, meu relacionamento, sobre o que fazer numa sexta à noite, sobre ter que acordar cedo todos os dias, sobre o que realmente eu gosto de fazer. São infinitos pensamentos.
Muita falta me faz ter esses momentos em minha vida, eles realmente foram uma parte importante da minha infância. A última vez que me lembro de ter revivido esse momento foi na véspera de meu aniversário de vinte e oito anos, quando pude relaxar e ficar completo de nada sob uma árvore, vendo as folhas balançarem sob o sol.
Mas esse nada não se confunde com vazio, pois estar vazio implica ausência de sentimentos, e no meu nada estou repleto dos melhores deles. É como acontece com a cor branca, que apesar de parecer a ausência de cores, na verdade, surge da comunhão de todas elas.
A.S.



quarta-feira, 15 de outubro de 2014

SOBRE PAIXÕES

Amo meus amigos, ainda mais porque vem de situações que acabo vivendo com eles a inspiração para poder escrever! Desta vez não foi diferente. Uma amiga me diz que saiu com um cara, super inteligente, fofo, e o melhor de tudo, uma verdadeira máquina de sexo, não pela quantidade mas sim pela qualidade. Até aí tudo bem, se não fosse ela dizer que não pode mais encontrá-lo, e que no máximo poderiam se ver para um sexo casual, pois não podia correr o risco de se apaixonar. Ela tinha os seus motivos para não querer, e eu respeitei.
Mas será que realmente somos frios o suficiente para bloquearmos uma paixão? Justo a paixão, esse sentimento tão avassalador!
Analisando por um ótica pessoal, quando me apaixonei – o que aconteceu apenas uma vez na minha vida - eu teria deixado tudo, me mudado para Bangladesh, se isso fosse necessário para viver o que estava sentido, mas era uma menino, com apenas vinte e dois anos de idade. Hoje talvez poderia ter a frieza necessária para racionalizar no que implicaria me mudar para Bangladesh e deixaria minha paixão partir, embora permanecesse em estado de paixão absoluta.
Se me apaixonasse novamente, com certeza vivenciaria toda a história de forma diferente. Me colocaria em primeiro lugar. Pensaria nos prós e contras. Melhor sofrer por uma potencial paixão não concretizada do que catar os meus próprios cacos espalhados pelo chão, quando o sentimento já tivesse se enraizado. A vida vai nos dando esses escudos.
Acredito que somos capazes de racionalizar antes de deixarmos que o sentimento nos invada, mas para isso precisamos de uma frieza que apenas conquistamos com o tempo, com as paixões mal resolvidas do passado. Por isso desconfio muito de quem alega que não tinha opção porque estava apaixonado. A paixão só é cega quando é pura e inocente, e isso só acontece quando nos apaixonamos pela primeira vez.
A.S.


terça-feira, 14 de outubro de 2014

AMADURECENDO

Hoje, enquanto conversava com um amigo de outro estado e em tempo real - amo apreciar como a tecnologia evoluiu facilitando a nossa vida -, perguntei a ele como andava a sua vida amorosa, já que ele estava solteiro, como resposta obtive um: desisti de procurar, saí desses sites de relacionamento, pegação e tudo mais; e eu, em um ato para confortá-lo disse que talvez quando deixamos de procurar é que podemos realmente encontrar.
Bom, quando terminei a conversa logo me peguei pensando se isso seria realmente verdade. Mas a surpresa está na resposta, realmente acredito que sim!
Não preciso citar os inúmeros exemplos que tenho de casos verdadeiros em que o encontro se deu em um ambiente totalmente diferente daquele destinado à azaração. Mas olhando ainda mais para dentro do problema vejo que quando paramos de procurar, inevitavelmente relaxamos, deixamos de dar chance a pessoas que realmente em nada tem a ver com a gente, aquela pessoa que a gente sente que não vai rolar, mas pela simples expectativa do “vai que...” decidimos por tentar mais uma vez.
Quando deixamos de procurar assumimos que não estamos mais dispostos a aceitar qualquer um, senão aquele que irá preencher os requisitos mínimos exigidos pelo nosso coração, assumimos que estamos bem sozinhos, que somos uma ótima companhia para nós mesmos. Nos enchemos de nós mesmos, e nada mais atraente do que reluzir isso aos outros.
Assim, percebo que deixar de procurar não é o fato que nos faz encontrar aquele que por muito tempo procuramos. Deixar de procurar é o o efeito gerado pela constatação do nosso interior de que amadurecemos, que não iremos mais nos contentar com expectativas vazias, e que sim, muito melhor será um vinho com amigos, um livro interessante ou um filme na TV, do que mais um encontro no escuro. Autoconfiança talvez seja afrodisíaco.
A.S.



sexta-feira, 10 de outubro de 2014

AH, A IMAGINAÇÃO!

Vontade de trair. Digo trair em um relacionamento, ceder ao desejo da carne pura e simplesmente, sem perspectiva de um retorno afetivo. Todos somos capazes? Será essa uma das essências do ser humano? Um dia todos trairemos ou seremos traídos? Quando uma pessoa se pega em seu primeiro “pensamento traidor” estará ela num caminho sem volta?Mas a pergunta que talvez mais perturbe é: será que valerá a pena?
Nesse tema, como já deu para perceber, sou apenas perguntas. O medo de enveredar por algo tão obscuro me gera um grande medo, o medo da perda. Jogar para o alto anos de um relacionamento estável e feliz por um momento de prazer com misto de curiosidade.
Mas o que algumas pessoas podem estar se perguntando é, como alguém pode pensar em trair se seu atual status é “em um relacionamento feliz”? Mas é aí a raiz da questão, nem toda traição tem a ver com insatisfação no relacionamento, e além do mais a monogamia nada mais é do que uma construção social, já que no meio natural podemos contar nos dedos de uma mão - e ainda sobrariam dedos - os bichinhos que se propõe a este papel, o de homem e mulher fiel.
Se hoje me fosse indagado se seria capaz de trair, prontamente responderia que não, acontece que ainda somos fruto do meio em que vivemos, e, parafraseando Karl Marx, ninguém nasce fiel ou infiel. Mas ao mesmo tempo que entendo a monogamia como fato social, aceito a importância dela na construção do meu relacionamento e também entendo relacionamentos que não se pautam nela como pilar de sustentação.
E o mais importante nisso tudo é que hoje percebo a necessidade de controlarmos nossos desejos, alguns são tão exitantes apenas porque vivem no mundo da fantasia, e esta é uma das graças de ser humano, poder se satisfazer apenas com a imaginação.
A.S.

ACEITANDO AS FASES

Apatia. Existem fases em nossa vida que somente podem ser definidas como apáticas. Sem vontade de sair para uma balada, namorar, amigos, família... O que queremos mesmo é ficar sob o conforto do nosso teto, bem esparramados no sofá, vendo o que a TV tem a nos oferecer. De onde vem tamanho desânimo? Seremos nós futuros depressivos irremediados?
Não sei se toda essa situação realmente me incomoda, pois se já foi detectado apenas como uma fase, melhor esperá-la passar sem grandes confrontos pessoais, sabendo aproveitar o momento introspectivo. Isso eu já decidi para mim.
O problema acontece quando realmente confundimos a apatia desta fase, e passamos a interpretá-la como algo que queremos para a nossa vida, como se isso fosse fruto de uma insatisfação no relacionamento, no trabalho, na vida familiar ou com um grupo de amigos. Terminar um namoro durante a fase da apatia é um tremendo erro, vejo arrependimento certo, caso isso ocorra. 
De certa forma, o ser humano comum não sabe lidar com fases, e pra priorar confunde a apatia com tristeza - lembro-me de um amigo que dizia confundir tristeza com sono e vice-versa. Então imagine juntarmos uma fase com apatia que é confundida com tristeza? Muita bagunça pode vir por aí...
Acredito que aceitarmos nossas fases é ponto importante de conhecimento de nós mesmos, e assim como temos os momentos de euforia, também teremos momentos de pura apatia. Mas que fique claro, apatia em nada tem a ver com tristeza, essa nos domina até a alma.
A.S.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

MEMÓRIAS

Durante muito tempo fitei na minha estante um caderno que havia ganhado de um amigo. Pretendia nele escrever sobre a minha vida, fatos cotidianos ou eventos que me marcassem, de forma positiva ou negativa. No entanto, nunca tive coragem de me levantar da cama, pegar uma caneta, e começar a escrever nesse caderno.
Por um tempo não quis analisar o porquê de me negar a escrever minha história, algo que objetivamente seria muito fácil de se fazer. Mas hoje, quase dois anos depois de ter sido presenteado com aquele caderno – como o tempo passa, mal acredito que todo esse tempo se arrastou e eu nada fiz em relação a isso -, num rompante, sem saber o que escreveria ou sem pensar nas dificuldades que tinha de me aproximar deste caderno, catei-o no canto esquecido da estante e decidi abri-lo.
Bom, o que escrever agora, me perguntei. E como primeiro pensamento me veio à mente: por que exitei, por tanto tempo, fazer algo tão simples? Escrever!
Agora, enquanto escrevo neste caderno, percebo que o que eu não queria era, quando as rugas já tomassem conta do meu rosto, voltar no tempo e me lembrar de todas as histórias que me fizeram sofrer, com certeza meu caderno estaria cheio delas, até porque não somos seletivos quando precisamos escrever sobre uma dor. A dor nos inspira mais do que a alegria, e este meu lado humano não precisaria ser relembrado.
Decidi então que seria melhor escrever crônicas. Crônicas sobre pessoas desconhecidas. Elas seriam eu, mas que por tomarem feições e roupagens diferentes, no futuro não me remeteriam a mim, mas eu saberia, lá no fundo, que o sentimento daquele texto partiu de mim, de um momento que eu vivi, que eu senti. Esse sou eu, sempre preferindo deixar meus sentimentos subentendidos. Será isso uma defesa por causa do medo de sofrer com feridas que ainda não foram cicratizadas? Não sei... Mas talvez isso seja assunto para outra crônica, na qual não serei eu o personagem principal.
A.S.