
Deito na
cama desarrumada do dia anterior. Viro-me. Olho para o relógio. Ajeito o travesseiro. Mudo o lado da cama. Não consigo dormir. Ligo a televisão. Nada que preste. Desligo a
televisão. Viro-me novamente. O sono não vem. Ligo o computador. Penso no que
escrever. Nenhum assunto me vem à mente. Digito uma frase. Apago.
Como é difícil a
vida de um pretenso escritor, visto que precisa de suas vivências para poder
dar cor ao texto. Como escrever usando os mais variados tons de cores que
podemos encontrar na natureza se o que te rodeia é um tom de azul marinho
esfumaçado que mais parece um preto desbotado.
Bons dias são
aqueles em que o rosa púrpuro cai em forma de serpentina, em que os confetes
voam ao vento formando cores verdes, azuis e violetas. Como é prazeroso ver o
texto fluindo em tons de amarelo fumegante, se espalhando como brasas
alaranjadas. São empolgantes os dias
coloridos, quando as palavras descem em forma de cachoeiras, formando
lagos de ideias azuladas.
Nós refletimos
nossas cores, mas elas nem sempre são belas, por vezes são azuis, outras
carmins. Por vezes são superficiais como a aquarela, em outras parecem ter sido
feitas a óleo. Torço para que dias de
ventos cintilantes, com raios de sol dourados retornem à minha paisagem, espero
por tempos de plena harmonia de cores e tons. Não pertenço a este mundo esfumaçado,
dominado por cores apagadas.
A.S
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