quinta-feira, 6 de novembro de 2014

CORES

Deito na cama desarrumada do dia anterior. Viro-me. Olho para o relógio. Ajeito o travesseiro. Mudo o lado da cama. Não consigo dormir. Ligo a televisão. Nada que preste. Desligo a televisão. Viro-me novamente. O sono não vem. Ligo o computador. Penso no que escrever. Nenhum assunto me vem à mente. Digito uma frase. Apago.
Como é difícil a vida de um pretenso escritor, visto que precisa de suas vivências para poder dar cor ao texto. Como escrever usando os mais variados tons de cores que podemos encontrar na natureza se o que te rodeia é um tom de azul marinho esfumaçado que mais parece um preto desbotado.
Bons dias são aqueles em que o rosa púrpuro cai em forma de serpentina, em que os confetes voam ao vento formando cores verdes, azuis e violetas. Como é prazeroso ver o texto fluindo em tons de amarelo fumegante, se espalhando como brasas alaranjadas.  São empolgantes os dias coloridos, quando as palavras descem em forma de cachoeiras, formando lagos de ideias azuladas.
Nós refletimos nossas cores, mas elas nem sempre são belas, por vezes são azuis, outras carmins. Por vezes são superficiais como a aquarela, em outras parecem ter sido feitas a óleo.  Torço para que dias de ventos cintilantes, com raios de sol dourados retornem à minha paisagem, espero por tempos de plena harmonia de cores e tons. Não pertenço a este mundo esfumaçado, dominado por cores apagadas.
A.S

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