Há
um
tempo
que
não
corre
nas
engrenagens
dos
relógios,
ele
reflete
sua
face
na
poeira
suspensa
das
salas
esquecidas,
viaja
no
tricotar
ensandecido
das
aranhas,
nos
olha
por
entre
janelas
ocas
das
casas
abandonadas.
Balança
entre
as
folhas
das
árvores
nas
ventanias
de
verão.
Dança
no
lusco-fusco.
Ele
nos
chama
nas
lembranças
adormecidas,
na
pontada
da
saudade
nascida
nos
dias
frios
do
coração.
O
tempo
além
do
tempo.
O
senhor
da
terra
da
lembrança.
Quando
toca
seu
cajado
no
chão,
não
há
porta
que
o
detenha.
Quando
menina
eu
o
via
nos
olhos
dos
adultos.
Ele
cantava
sua
canção
através
das
palavras
dele.
Crescia
a
cada
suspiro
saudoso,
a
cada
história
de
seus
passados.
Eu
era
imune
a
suas
investidas,
mas
ele
pacientemente
esperava
a
vida
tecer
minha
história
também.
Não
havia
como
escapar
de
seu
abraço.
A
cada
ano,
sua
sombra
projetava-se
mais
ao
meu
lado.
O
tempo paralelo. O condutor da carruagem. Não sei ao certo suas cores
- num dia pode ser de um amarelo desbotado, pular para um cinza
apagado ou inundar-se de cores fortes. Pinceladas de vermelho ocre –
vai depender da pagina que ele vai abrir, qual envelope de história
vai rasgar e recitar em meu coração, qual será a medida da saudade
que despejará em mim.
Há
um
tempo
que
não
corre
nas
engrenagens
dos
relógios,
e
ele
ressurge
a
cada
novo
fôlego
que
nasce
na
terra
e
a
cada
brilho
que
se
apaga
no
olhar
de
quem
amamos.
Lila Mah
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