quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Caixa de Memória



Acabei de ler um poema lindo, andei com ele acalentando minha alma pelas calçadas da minha cidade, como quem carrega um tesouro em segredo; fico imaginado se as pessoas que passam por mim também carregam seus tesouros – uma frase de alguém especial, aquele trecho de música que tocou enquanto me arrumava pra sair, o som e o gosto do beijo antes da despedida. Será por quanto tempo que elas conseguem manter essas boas lembranças na mente? Qual o momento em que elas se dissolverão como a ultima mordida no sorvete num dia quente de verão?

O que seria de nós sem as lembranças, as sensações que tecem o que somos?! Tenho um problema sério com minha memória, ela seleciona algumas coisas e outras simplesmente são apagadas. Do poema lindo que li, ainda carrego seus versos, mas não lembro o nome do autor; de alguns momentos de alegria partilhados com os amigos fica somente uma vaga lembrança de um dia feliz.

Dizem que ao envelhecer, tendemos a resgatar lembranças mais antigas; será que nosso cérebro sofre um rebombinamento e inicia um processo de retrocesso? Na velocidade que esqueço as coisas tenho medo de chegar ao ponto do zero, será que minha mente ficará como uma TV fora do ar?! Será que abraçarei a morte sem levar minhas melhores histórias?

Ficarei bem se me lembrar das minhas caminhadas diárias por minha cidade, de lembrar como as árvores ficam lindas ao receber os raios do sol da manhã...de como o rio se banha de prata ao sol do meio dia...de como é lindo o lusco-fusco tingindo de laranja as copas das árvores...e seu eu lembrar de um trecho de uma boa música e de um poema de amor, aí sim, entrarei feliz no paraíso.
 
Lila Mah

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